domingo, 15 de março de 2015
sábado, 29 de março de 2014
sábado, 9 de abril de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
I'm coning to Makeni soon - some questions!!!
I hope you're enjoying your last few weeks and I look forward to hearing from you.
Thanks and bye for now.
Pascale
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Dedicatória
A Morte é o mais amplo de todos os mistérios.
Em primeiro a agonia da impossibilidade de comunicar.
Depois o folhear de recordações.
Por último, alojamos os nossos entes queridos num mesmo lugar (do nosso afecto) de onde nos vêem e ouvem, e para eles, de tempos a tempos, agimos e mostramos com carinho aquilo que gostaríamos que eles soubessem de nós. Pensamos: “isto é para ti”, crentes de que eles ficarão felizes.
E nessa vivência do mundo dos nossos mortos, cada vez mais povoado, vamo-nos acostumando à sua proximidade.
Raquel
14/10/2010
Fabrice: 6de Abril de 1968 - 14 de Outubro de 2010. Aqui deixo uma flor na sua sepultura. Ele teria adorado rever-vos.
(Havia 3 amigos com quem tinha de partilhar isto: O Luís, a Lena e a Eugénia.)
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Dedicatória
Mas o desgosto segue-os; nas nossas casas tristes,
Nunca a alegria esteve a não ser por metades...
Vêm lembrar aqueles que nas amáveis horas
Levados pela morte deixaram bons amigos.
Aquela voz que amavam ressoa com ternura,
Mas não pode chegar aos mortos que procura;
Eu perdi da amizade a atenção benévola,
E o meu primeiro orgulho, e os primeiros acordes!»
«Dedicatória», Fausto, Goethe.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A flor rara de um cacto vulgar

Como cactos encolhidos em seus agrestes espinhos
Feros, silenciosos, sempre de arma em punho
Que numa manhã de Primavera
Revelam a mais bela e rara flor
Perfumada como um veneno de amor
Algures esquecido
Cujo desejo renasce e se repete
De cada vez que,
uma brisa ténue, o amor,
Quase fingido,
Nos afaga o corpo e os sentidos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
do outro lado do sol
dorme bem mana
terça-feira, 28 de julho de 2009
um grande grande beijo génia querida.
cat
quinta-feira, 2 de julho de 2009
não consigo pensar muito diferente agora. como antes, sei que é só uma questão de tempo voltarmos a estar. aliás, vamos estando.
num sonho, sigo-te a nado na travessia de um lago. é noite e a água está escura como o céu estrelado. sinto algum receio. aproximamo-nos de uma margem onde 5, talvez 7 vultos perfilados nos vêem chegar. o seu aspecto destratado, como sem abrigos causa-me receio também. mas não - conhecem-te. são teus amigos. está tudo bem. já numa casa ou cabana, as tabuínhas finas das janelas filtram o luar. continua noite. muito tranquila. que sossego me dás.
noutro sonho, cruzo-me com uma rapariga de 20 anos igualzinha a ti. mesmo parecida. vem acompanhada da família, num ambiente de férias ou fds. não resisto a estabelecer contacto com ela. apresento-me. falo-lhe de ti. da vossa parecença. ela é bastante receptiva. combinamos voltar a encontrar-nos. permitir-me conhecê-la melhor. que saudade tão grande tão grande tua, esta rapariga me traz. pergunto-me se ela representará a imagem que guardo tua, por volta dessa idade? quando ainda não tínhamos maridos nem filhos nem nada que nos condicionasse. só férias extraordinárias.
e agora? neste momento?
bom. neste momento preciso, estás aqui, nos meus pensamentos. quem sabe, mais logo, num sonho? na risada de alguém na mesa ao lado, no restaurante. nas palavras da raquel. no legado dos teus filhos. no afecto do teu irmão. na pele dos teus pais.
no olhar vago de cada um de nós. o que importa? estás aí, enquanto nós estivermos aqui e pronto. e depois? logo se verá. pra quê saber tudo?
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Os peixes
Um dos meus passatempos consistia em tentar apanhar com as mãos os peixinhos da ribeira. Guardava-os num frasco e depois soltava-os e via-os ir.
Uma vez levei-os para casa e enchi a banheira para manter os meus amigos perto de mim, mas as autoridades lá de casa impuseram o regresso imediato dos peixes ao seu habitat. As autoridades eram todos excepto eu – ninguém queria abdicar do banho por causa dos meus frágeis companheiros ali retidos, argumentando que estavam muito infelizes.
Nesse jogo de apanhar peixes à mão, a maior parte deles escapavam por entre os dedos e desapareciam sem retorno. A Eugénia fez-me relembrar essa sensação – escorregadia, escapou-se e acolheu-se no mistério que a transparência das águas pode encobrir... para onde eu olhava tempos infinitos esperando rever o pequeno peixe que se empenhara em ser livre.
terça-feira, 9 de junho de 2009
A história das cenouras - saudades
Uma vez, eu e a Eugénia zangámo-nos por uma questão de cenouras. (Nós volta e meia marrávamos porque eu sou Touro e ela Carneiro – deve ser isso). Estávamos em Sesimbra e decidimos fazer uma sopa. No supermercado havia um caixote de madeira com cenouras de vários tamanhos. Eu queria comprar várias cenouras pequenas e a Eugénia apenas uma grande. Eu argumentei que as pequenas eram mais tenras e a Eugénia disse que uma grande dava menos trabalho a descascar. Mantivemo-nos durante uns bons minutos a aprofundar a teoria da cenoura prá sopa. Estávamos grávidas e picuinhas. Julgo que foi por isso que nos saltou a intelectualidade prás cenouras. Levámos a cenoura grande e depois de comermos a sopa já estava tudo esquecido. A outra vez que me lembro de me aborrecer com a Eugénia foi quando ela disse que ia para o Brasil. Eu não percebia o que é que ela ia fazer para um sítio onde não tinha conforto para cuidar de si... e havia tubarões e jacarés nas sedutoras águas do paraíso (fartei-me de rezingar até ao disparate). Também me passou a birra porque tinha de ser assim. Ela enviou-me uma linda mensagem do Brasil, que ainda hoje guardo no meu telemóvel: «Querida Raquel! Um grande abraço do Brasil de parabéns! A tua força e coragem ajudam-me sempre! Estou numa fase frágil de mudança e pessoas que me são queridas e importantes estão muito presentes. Aqui é muito bonito! Espero que estejas bem com força energia e animação! Grande abraço Raquel querida.». Foi em Maio, p’los meus anos.
A verdade é que há muito tempo que não vejo se compro cenouras grandes, pequenas ou tenras, porque pego à pressa naqueles sacos de supermercado sarapintados de vermelho para acreditarmos que as cenouras têm uma cor viva e fresca. A Eugénia escolheu tudo o que fez. As cenouras sabem a pacote. E que falta me fazem as birras entre mim e a Eugénia!
4/04/09
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Renée Maia de Carvalho
Foi há tão pouco tempo, que me cruzei com a Eugénia, e o seu Filhote, nas escadas do posto da Caixa de Algés.
Combinamos encontrar-nos, e voltamos a trocar os nossos contactos.
Debaixo do lenço, no seu rosto marcado, brilhavam os seus lindos olhos e um sorriso feliz.
Entre muitas recordações, lembro-me dos seus croquis feitos nos transportes públicos, da sua fase “cartoons”, da sua primeira gravidez, dela me descrever a casinha de Algés, dos azulejos, da sua mudança para Lisboa e experiência nova de vida em comunidade, a sua nova paixão e novo bebé….
Imaginem a Eugénia a fazer uma mímica sobre a secura da pele, frente a uma plateia de jornalistas, e no âmbito do lançamento de um creme hidratante! Pois, ela executou-se com aquela naturalidade e espontaneidade que a caracterizavam!
Adorável Eugénia!
No portão da nossa casa, está um pequeno painel de azulejos, realizado por ela. A casa chama-se “La lézardière”, devido à uma paixão por lagartos, que remonta à minha pequena infância, no ex-Congo Belga.
Ao saber disso, a Eugénia teve a gentileza de me oferecer um lindo e antigo lagarto de chumbo, que se juntou aos herdados da minha Bisavó, e protegem a entrada da casa.
Sempre gostei de pessoas com “pancada”, diferentes, que vivem à contra-corrente, e se assumem.
Sempre me fascinou a arte da provocação e da “dérision” para agitar o estabelecido. Não me admirou saber da adesão da Eugénia a um movimento de raízes “Dadaiste”. Conhecendo o seu percurso, parece-me lógico.
A Eugénia, para mim, será sempre um exemplo de pessoa em perfeita sintonia com a vida, fiel às suas opções, fora dos circuitos convencionais, em constante procura e “ remise en question”, que transmitia esta energia e este equilíbrio (no “desequilíbrio”!?..) por cada poro da sua pele.
Era mesmo Eu-Génia!
Gostava de ter uma palavra de apoio aos vossos admiráveis Pais, sempre presentes, carinhosos e compreensivos, e dar-lhes um muito grande e sentido abraço.
Obrigada, Ricardo, pelo blogue, que me permitiu partilhar a vossa intimidade, e rever (lindas) fotos da Eugénia.
Gostava muito de levar umas flores do campo à Eugénia, e falar com ela, pois sinto (e vou sentir) muito a sua falta.
Beijinhos.
Renée Maia de Carvalho
segunda-feira, 4 de maio de 2009
trouxe-me a memória de nós a entrarmos naquela água, há muuuuuitos anos.
não devia ser tempo de praia, pois acho que entrámos em roupa interior, à falta de fatos-de-banho. e era noite.
lembrei a impressão da água escura e das pedrinhas e lama sob os pés.
tu lançaste-te logo, sem impressões nenhumas.
senti-me compelida a fazer o mesmo.
à tarde, o ricardo falou-me.
relembrámos ambos um pouco mais:
que era um fim-de-ano... e mais alguns detalhes alucinantes, como convinha naquela idade.
obrigada pelas lembranças, ricardo.
tsshhh... já vivemos tanta coisa...
cat



